Agricultura urbana como ativismo

Pesquisador do IEA-USP, Gustavo Nagib diz que São Paulo tem ocupado espaços abandonados com agricultura urbana produtiva, em livro discute a agricultura urbana como prática de ativismo em SP

Gustavo Nagib

Estruturado em duas partes, na primeira a obra traz o conceito de agricultura urbana praticada como ativismo. Na segunda, mostra como a agricultura é capaz de reestruturar o espaço urbano. Por fim, relaciona o tema ao direito à cidade.

Agricultura é um termo que, tradicionalmente, remete ao espaço rural, mas nem por isso a agricultura urbana deixa de existir. Nas cidades, a agricultura se apresenta em formatos diferentes daqueles apresentados no campo – vastas e extensivas produções que têm como objetivo o mercado exterior. Uma das formas em que essa prática ocorre em contexto urbano é o seu uso como ativismo, discutida por Guga Nagib, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e membro do Grupo de Estudos Agricultura Urbana, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, em seu livro Agricultura Urbana como Ativismo na Cidade de São Paulo (Editora Annablume).

Nagib conta que, desde 2010, a cidade de São Paulo vem cada vez mais transformando seus espaços com ocupação promovida pela agricultura urbana, como hortas comunitárias e outras ações produtivas que reagregam as pessoas e reconectam-nas com a natureza. O doutorando explica a importância dessas mudanças trazidas pela agricultura urbana. Ele conta que os espaços públicos, como o próprio nome sugere, são de todos, e que muitas vezes vê-se que as praças e os parques não têm o cuidado necessário por parte do poder público. Nesse cenário, os ativistas ocupam – com o aval do poder público – esses espaços, com o objetivo de ressignificar a cidade, mostrando que ela é de todos, através, por exemplo, da promoção de reaproveitamento da água das chuvas e do plantio do próprio alimento.

Agricultura urbana e Claudia Visoni

A agricultura e a cidade são irmãs gêmeas, tão interdependentes que chegam a ser xifópagas. Ambas surgiram exatamente no mesmo momento histórico, já que foi o cultivo de alimentos que permitiu à humanidade fixar-se no território. Não existe cidade se não houver agricultura. E se não existissem os assentamentos humanos, a caça e a coleta seriam as maneiras mais adequadas de obter alimentos. Mesmo a manifestação rural e produtora de commodities da agricultura era bastante mais limitada até o surgimento de ferrovias, estradas, navegação motorizada e outras formas de transporte rápido. Ou seja, até o tempo das nossas bisavós, boa parte da comida precisava estar plantada bem perto da moradia.

O processo histórico revela que o cultivo de alimentos nas cidades nunca foi extinto, embora na segunda metade do século XX tenha caído na obscuridade. O desenvolvimento da agroindústria, da indústria alimentícia, das grandes redes de supermercados e a popularização dos refrigeradores acabaram desmerecendo as hortinhas de quintal, que antes todos tinham. E a maioria dos habitantes urbanos das classes médias e altas em poucas décadas se esqueceram completamente do hábito de semear e colher a própria comida sem sair de casa.

Estou contando esta história para explicar o espanto de alguns moradores da Vila Madalena e da Vila Beatriz, em São Paulo, quando um pequeno grupo de ativistas, do qual faço parte, resolveu plantar uma horta comunitária na Praça das Corujas. Um belo dia, eu estava lá com a enxada na mão, quando uma frequentadora, muito irritada, gritou: “Vocês são loucos! Cidade não é lugar de horta!”. (Risos).

Mais ou menos nessa época, conheci o Gustavo Nagib, que se propôs a pesquisar a agricultura urbana ativista e nossa querida Horta das Corujas, inaugurada em 2012. O resultado é esse belo trabalho, primeiro nascido em forma de dissertação de mestrado na Universidade de São Paulo, agora transformado em saboroso e nutritivo livro.(Claudia Visoni)

Fonte: Jornal da USP / Annablume

GEAU-IEA

Ficha:
Agricultura urbana como ativismo na Cidade de São Paulo
Gustavo Nagib
Formato 16x23cm, 226 páginas
ISBN 978-85-391-910-4

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